
A inteligência artificial chegou de vez ao dia a dia dos nossos filhos e, entre todas as mudanças, uma das mais visíveis está nos trabalhos escolares.
Por Ricardo Menezes
Em poucos segundos, um texto pronto aparece na tela, com começo, meio e fim. Bonito, organizado… e muitas vezes, sem nenhuma participação real do aluno.
O problema não está na tecnologia em si. Pelo contrário, a IA pode ser uma grande aliada no aprendizado. O risco começa quando ela deixa de ser ferramenta e passa a ser substituta do esforço. Quando o aluno apenas copia, entrega e segue, sem ler, sem pensar, sem construir. Ele até ganha tempo, mas perde algo muito maior: o desenvolvimento do raciocínio.
Segundo o educador José Moran, “as tecnologias ampliam possibilidades, mas exigem mediação consciente para que gerem aprendizagem real”. Ou seja, não é sobre proibir, é sobre orientar. Ensinar o filho a usar a inteligência artificial para pesquisar, organizar ideias, revisar textos… e não simplesmente “fazer por ele”.
Em casa, vale uma conversa clara e sem julgamento. Perguntar: “Você entendeu o que entregou?” já abre espaço para reflexão. Estimular que ele escreva ao menos uma parte com as próprias palavras, que revise, que questione. Aprender dá trabalho e isso faz parte do processo.A inteligência artificial veio para ficar. A grande diferença estará na forma como nossos filhos vão usá-la: como muleta… ou como trampolim. E essa escolha, na maioria das vezes, começa com a orientação que recebem dentro de casa.



