
Nem toda diversão precisa de Wi-Fi
Por Helena Duarte
As férias chegaram. Para muitas famílias, junto com a alegria de ter as crianças em casa surge uma dúvida recorrente: como entreter os filhos sem que o celular, o tablet ou a televisão ocupem o dia inteiro?
A boa notícia é que não é preciso gastar muito dinheiro nem criar uma programação mirabolante. Especialistas lembram que as melhores memórias da infância costumam nascer justamente dos momentos simples.
O que fazer nas férias sem gastar muito?
Transforme a cozinha em sala de aula
Preparar um bolo, fazer um sanduíche diferente ou ajudar no almoço são atividades que desenvolvem autonomia, responsabilidade e cooperação.
Segundo a pedagoga Tânia Zagury, a participação das crianças nas tarefas do cotidiano contribui para o desenvolvimento da independência e fortalece os vínculos familiares.
Redescubra as brincadeiras da infância
Esconde-esconde, pega-pega, amarelinha, jogos de tabuleiro e cartas continuam divertindo crianças há gerações.
Além de estimular a criatividade, essas atividades ajudam no desenvolvimento social e emocional.
Crie um desafio de leitura
Não é necessário obrigar a criança a ler durante horas. O segredo é tornar a leitura prazerosa.
Vale montar um cantinho especial, visitar uma biblioteca pública ou permitir que a criança escolha livros de acordo com seus interesses.
Faça passeios gratuitos
Muitas cidades oferecem parques, praças, feiras culturais, bibliotecas, museus gratuitos e atividades comunitárias durante as férias.
O importante não é a sofisticação do passeio, mas a experiência compartilhada.
Convide os avós para participar
As férias são uma excelente oportunidade para aproximar gerações.
Ouvir histórias da infância dos avós, olhar fotografias antigas ou aprender receitas tradicionais pode ser mais marcante do que muitas horas diante de uma tela.
E as telas?
As telas não precisam ser tratadas como vilãs. O problema surge quando elas passam a ocupar o espaço que deveria ser preenchido por experiências reais.
O psicólogo norte-americano Jonathan Haidt, autor de estudos sobre infância e tecnologia, alerta que o excesso de tempo em dispositivos eletrônicos pode reduzir oportunidades importantes de convivência, brincadeiras presenciais e desenvolvimento socioemocional.
Por isso, especialistas recomendam equilíbrio. Alguns momentos de jogos, filmes ou vídeos podem fazer parte das férias. O desafio é evitar que se tornem a única forma de entretenimento.
Uma pergunta para os pais
Daqui a dez anos, o que você gostaria que seu filho lembrasse destas férias?
Do vídeo que assistiu sozinho no quarto?
Ou da tarde em que vocês fizeram um bolo juntos, caminharam no parque ou simplesmente conversaram sem pressa?
As férias passam rápido. As lembranças construídas em família costumam permanecer por muito mais tempo.



