
Segundo o psicólogo e pesquisador Daniel Goleman, a base da inteligência emocional começa na infância — e está diretamente ligada à forma como a criança aprende a reconhecer e lidar com suas emoções.
Por Rafael Duprat – Jornalista de família e desenvolvimento humano
Vamos falar uma verdade que pouca gente diz com clareza:
Criança não nasce sabendo se controlar.
Ela não sabe lidar com frustração, não sabe esperar, não sabe nomear o que sente — e muito menos entender por que sente.
Quando ela grita, chora, faz birra ou se fecha… não é falta de educação.
É falta de ferramenta.
E é aí que entra o papel dos pais.
Emoção não controlada vira comportamento
Segundo o psicólogo e pesquisador Daniel Goleman, a base da inteligência emocional começa na infância — e está diretamente ligada à forma como a criança aprende a reconhecer e lidar com suas emoções.
Traduzindo para a vida real:
– Criança que não entende o que sente, reage.
– Criança que aprende sobre o que sente, escolhe.
E isso muda tudo.
Porque uma criança sem controle emocional:
- explode com facilidade
- desiste diante de dificuldades
- se irrita rápido
- tem dificuldade em respeitar limites
Já uma criança emocionalmente educada:
- respira antes de reagir
- aprende a esperar
- desenvolve empatia
- constrói relações mais saudáveis
E isso não é dom.
É construção.
O que os pais fazem (sem perceber) que atrapalha
Muitos pais, na tentativa de ajudar, acabam dificultando o processo.
Frases como:
- “para de chorar, não foi nada”
- “isso é besteira”
- “engole o choro”
ensinam a criança a reprimir — não a entender.
E emoção reprimida não desaparece.
Ela volta… em forma de comportamento.
Às vezes como irritação.
Às vezes como ansiedade.
Às vezes como silêncio.
Como ensinar controle emocional na prática
Não precisa de teoria complicada.
Precisa de presença e intenção.
Alguns caminhos simples e poderosos:
Nomeie as emoções
“Você está bravo porque perdeu o jogo, né?”
Isso ajuda a criança a organizar o que sente.
Valide antes de corrigir
“Eu entendo que você ficou chateado… mas não pode bater.”
Primeiro acolhe, depois orienta.
Ensine alternativas
Respirar, se afastar, conversar… tudo isso precisa ser ensinado.
Seja exemplo
Não adianta pedir calma gritando.
A criança aprende muito mais pelo que vê do que pelo que ouve.
Um recado direto para os pais
Controle emocional não é fazer a criança parar de sentir.
É ensinar a sentir… sem se perder.
E isso começa cedo.
Muito cedo.
Cada momento de birra, frustração ou choro não é um problema.
É uma oportunidade.
– Oportunidade de ensinar.
– Oportunidade de fortalecer.
– Oportunidade de preparar seu filho para a vida real.
Porque lá fora, o mundo não vai aliviar.
Mas uma criança que aprende a lidar com o que sente…
cresce mais forte, mais segura e muito mais preparada para viver.



