
Tem algo silencioso acontecendo dentro de muitos lares brasileiros: adolescentes estão indo dormir cada vez mais tarde… e acordando cada vez mais cansados.
Por Helena Duarte
Pais relatam irritabilidade, dificuldade para acordar, queda no rendimento escolar, desânimo, mudanças bruscas de humor e falta de concentração. Em muitos casos, o problema não começa na escola. Começa no quarto, pouco antes de dormir, quando o celular continua aceso até altas horas da noite.
Vídeos curtos, jogos online, conversas intermináveis, redes sociais e uma sequência infinita de estímulos têm roubado horas preciosas de sono de crianças e adolescentes.
Especialistas em saúde mental e desenvolvimento infantil vêm alertando sobre esse fenômeno. O cérebro dos adolescentes ainda está em formação e precisa do descanso adequado para consolidar memórias, regular emoções, fortalecer o aprendizado e manter o equilíbrio físico e emocional.
Mas o que acontece hoje é justamente o contrário.
Muitos jovens dormem com o aparelho ao lado da cama, acordam durante a madrugada para verificar notificações e iniciam o dia já cansados. Aos poucos, o corpo entra em estado constante de exaustão.
E o impacto aparece em vários lugares:
- dificuldade de aprendizagem;
- ansiedade;
- impulsividade;
- baixa tolerância à frustração;
- desmotivação;
- conflitos familiares;
- sensação constante de cansaço.
Além disso, a luz emitida pelas telas interfere diretamente na produção da melatonina, hormônio responsável pelo sono. Ou seja: quanto maior o contato com celulares e tablets antes de dormir, maior a dificuldade do organismo em desacelerar.
Muitas famílias vivem hoje uma contradição curiosa: nunca tivemos tantos recursos para conforto… e nunca dormimos tão mal.
Criar uma rotina noturna saudável passou a ser uma necessidade emocional dentro das casas. Pequenas mudanças já fazem diferença:
- evitar telas pelo menos uma hora antes de dormir;
- diminuir luzes muito fortes à noite;
- criar horários mais organizados;
- conversar mais e acelerar menos no período noturno;
- evitar que o celular permaneça na cama durante a madrugada.
Mais do que uma regra rígida, isso exige consciência familiar.
Os filhos precisam de limites, mas também de exemplo. É difícil pedir que um adolescente se desconecte quando os próprios adultos passam a noite inteira olhando para a tela.
Talvez esteja chegando o momento de reaprendermos algo simples: descansar também é saúde.
Dormir bem não é perda de tempo.
É uma das formas mais importantes de cuidar da mente, das emoções e da própria vida.



