
Meu filho quer ganhar de todo mundo e agora
Por Rafael Duprat
Tem criança que transforma qualquer coisa em campeonato. Vale a corrida até o carro, vale quem termina a comida primeiro, vale jogo de tabuleiro, videogame e até quem responde mais rápido na escola. Competir faz parte da natureza humana. O problema começa quando perder vira sinônimo de fracasso.
Se o seu filho não aceita derrota, faz birra quando perde ou fica extremamente frustrado quando não é o melhor, respire. Isso é mais comum do que parece.
A competitividade, quando equilibrada, é saudável. Ela ensina superação, foco, disciplina. A criança aprende a se esforçar, a persistir, a buscar melhorar. O risco está no exagero, quando ganhar vira condição para se sentir amado, valorizado ou reconhecido.
Muitas vezes, sem perceber, os adultos alimentam isso.
Quando o elogio vem apenas pelo resultado, “Você é o melhor!”, e não pelo esforço, “Eu vi como você se dedicou”, a criança entende que seu valor está no pódio. E a vida, como sabemos, não é um campeonato permanente.
Outro ponto importante: algumas crianças são naturalmente mais competitivas. Faz parte do temperamento. O papel dos pais não é apagar essa característica, mas ajudar a dar direção a ela.
Algumas atitudes ajudam muito:
✔ Ensinar que perder faz parte do processo. Perguntar “O que você aprendeu com isso?” muda o foco da derrota para o crescimento.
✔ Valorizar o espírito de equipe. Mostrar que ajudar um colega também é vitória.
✔ Evitar comparações entre irmãos ou amigos. Comparação aumenta rivalidade.
✔ Demonstrar, no próprio comportamento, que dá para competir com respeito.
Crianças observam como os pais reagem quando perdem algo, uma discussão, um jogo, uma oportunidade. Se o adulto aceita com equilíbrio, a criança aprende equilíbrio. Se o adulto desqualifica o outro ou se revolta exageradamente, a criança entende que só vencer importa.
Ganhar é bom. Claro que é. Mas ganhar não pode ser a única fonte de autoestima.
O objetivo não é formar crianças menos ambiciosas. É formar crianças emocionalmente fortes, que saibam competir, cooperar e, principalmente, continuar tentando mesmo quando o troféu não vem.
Porque na vida adulta, o mais preparado não é quem nunca perdeu.
É quem aprendeu a perder sem desistir.